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Rio das Flores: cenários cinematográficos e coleção imperial

SP - Rio das Flores: 398 km

12/07/2016 | 04h50

Bruna Toni - O Estado de S. Paulo

 

 

 

RIO DAS FLORES - O lugar tinha algo de familiar. Não que esta repórter seja uma exímia noveleira, mas sabia já ter visto a atriz Alinne Moaraes naquele portão. Frequentemente requisitada como cenário de gravações – as novelas Um Só Coração e Além do Tempo, da TV Globo, estão na lista –, a Fazenda do Paraízo é uma das melhores representantes do que era a vida no campo no século 19.

Erguido a mando do Visconde de Rio Preto entre 1845 e 1853, seu suntuoso casarão de 2.200 metros quadrados, 58 cômodos e 24 quartos mantém preservados seus quatro ambientes: comercial, de serviço, social e o íntimo, único onde o público não chega. É que ali estão os aposentos dos atuais donos da fazenda, Simone e Paulo Belfort.

Em 1912, os Belfort de Juiz de Fora compraram a fazenda da família do Visconde de Rio Preto para criar gado, sua principal atividade até hoje. Mas, sob o comando do casal quatro gerações mais tarde, a Paraízo passou a receber também turistas.

O privilégio de conhecer a Paraízo está no reluzente piso de jacarandá do segundo andar; no quadro que retrata a Baía de Guanabara, ainda limpa; no galpão onde está o maquinário trazido dos Estados Unidos em 1863 para otimizar a produção de café; na cozinha com fogão a lenha onde Simone, séculos depois, ainda passa o café. Guiadas pelo casal, as visitas duram 2 horas e custam desde R$ 70. As teatralizadas ocorrem aos sábados, às 15 horas.

Coisa de colecionador. A viagem no tempo na Fazenda União começa pelo paladar, com pratos preparados pelo chef Leandro Monteiro no fogão à lenha de 150 anos, como a feijoada de sábado.

Além do restaurante e de atividades típicas de hotéis-fazenda (piscina, tirolesa, passeio de charrete...), a União é um verdadeiro antiquário, fruto da paixão de seu proprietário, Mário Vasconcellos Fernandes, por objetos antigos. A maior parte das peças é dos séculos 18 e 19 e está espalhada pelo casarão (a coleção de pratos de porcelana com brasões é de cair o queixo) e por espaços como o pequeno, mas rico, Museu de Arte Sacra.

A senzala deu lugar a uma sala dedicada à memória africana no Brasil. Sem aviso, entrei no local, escuro, atraída pela curiosidade. Tamanho foi o susto ao ver um homem negro de meia idade sentado no chão de terra, com as veias dos pés sobressaltadas e expressão de sofrimento. Precisei de alguns segundos para entender que se tratava de uma escultura de resina. O susto passou – o incômodo, não.

Jeronimo Magalhães é o autor das esculturas que retratam as situações a que eram submetidos os escravos. Para não-hóspedes, há visitas guiadas com almoço às quintas (14h; R$ 90) e sábados (11h30; R$ 100), dia em que ocorrem saraus com guias interpretando personagens de época. Há ainda apresentações de capoeira, maculelê e outras tradições com a Associação Afro Angola-Congo (19h; R$ 100, com jantar).

Mais lugares. Além de fazendas e hotéis, o Tour da Experiência inclui outros tipos de estabelecimentos. É o caso da Florart, uma cooperativa de 55 artesãos em Rio das Flores que produz e vende bordados à moda da baronesa.

 

http://viagem.estadao.com.br/noticias/geral,rio-das-flores,10000062197